Conheça Jung e seu legado
Uma apresentação do criador da Psicologia Analítica


Por Edwin Karrer


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De tempos em tempos surgem na Terra algumas pessoas bastante fora da curva normal na qual a maioria de nós se encontra; pessoas cuja vida e obra apresentam uma capacidade de influência muito além de seus círculos pessoais, deixando um verdadeiro legado para a humanidade. O Dr. Carl Gustav Jung foi uma dessas pessoas.

Um dos maiores pensadores da história ocidental, Jung foi um homem genial e original, cujas ideias são hoje mencionadas até mesmo por pessoas que nunca ouviram falar do grande psiquiatra suíço. Muito provavelmente, você que me lê já utilizou ou ouviu (mesmo que equivocadamente) algumas expressões como "introvertido", "extrovertido", "inconsciente coletivo " e outras.

Escrever sobre a força de influência de Jung no nosso tempo, fazendo jus à sua grandeza, é tarefa que não tenho a pretensão de cumprir em um breve artigo como este. No entanto, tentarei aqui aguçar o interesse daqueles que ainda não tiveram a oportunidade de conhecer um pouco da obra deste gênio.

 

 

"Ao que nos compete discernir, o único propósito da existência humana é jogar um pouco de luz nas trevas do mero ser."

(Carl Gustav Jung)

 

Carl Gustav Jung nasceu em 26 de julho de 1875 em Kesswil, uma aldeia no cantão de Turgóvia, na Suíça. Filho de um pastor protestante, Jung foi afetado desde a infância pelas questões da religiosidade e espiritualidade. Mudou-se aos 4 anos de idade com a família para os arredores de Basiléia, onde ele realizou seus estudos até formar-se médico em 1900.

A carreira de Jung foi brilhante desde seu início, tornando-se rapidamente assistente no hospital Burghölzli, em Zurique, sob a direção de Eugen Bleuler, um dos maiores nomes da história da psiquiatria. Além de colaborador de Bleuler, Jung desenvolvia trabalhos de pesquisa que o levaram a desenvolver o conceito de complexos (adotado posteriormente por Freud), sua primeira grande contribuição para a psicologia.

Em 1907 Jung teve seu primeiro contato pessoal com Freud. O primeiro encontro entre estes grandes pensadores durou cerca de 13 horas contínuas de conversação. Apesar de Freud ser, naquela ocasião, fortemente criticado no meio acadêmico, Jung viu grande valor em seu trabalho. De 1907 até 1912 houve grande colaboração entre Jung e Freud, sendo que este via em Jung seu sucessor para conduzir a psicanálise adiante. Em 1910, por influência de Freud, Jung assumiu a presidência da Associação Psicanalítica Internacional.

 

Na frente, Sigmund Freud à esquerda e Carl Jung à direita (1909)

 

Apesar da grande amizade e admiração mútua, as diferenças entre eles foram ficando cada vez mais nítidas. Entre outros pontos, Jung não aceitava a visão de Freud de que toda repressão tinha origem em traumas sexuais, enquanto Freud rejeitava o interesse de Jung pelas questões espirituais e mitológicas.

O livro de Jung Metamorfoses e Símbolos da Libido (1912) ressaltou importantes divergências teóricas que o levaram a separar-se definitivamente de Freud, incluindo sua ideia de libido como uma energia psíquica generalizada. Os dois gênios tinham caminhos diferentes a percorrer.

Jung rompeu sua ligação com o grupo psicanalítico e gradualmente desenvolveu as teorias da sua Psicologia Analítica (ou Psicologia Junguiana). Ele era muito culto em filosofia, mitologia e literatura, tendo pesquisado dedicadamente o pensamento de diversas culturas, inclusive orientais.

O grande pensador morreu em 6 de junho de 1961, aos 86 anos, após uma vida dedicada à prática clínica e ao desenvolvimento da Psicologia.

 

 

"O que não enfrentamos em nós mesmos encontraremos como destino."

(Carl Gustav Jung)

 

Apesar de sua contribuição de valor incalculável para a Psicologia e para outras áreas do conhecimento humano, ainda hoje Jung é mal compreendido por muitos no meio acadêmico, tomado como místico por aqueles que não conseguem alcançar a profundidade de suas ideias. Homem de pensamento avançado até mesmo para os dias atuais, Jung mostrou que a espiritualidade não é propriedade exclusiva das religiões, mas sim uma das mais importantes dimensões constituintes da subjetividade humana.

Estudar Jung é uma viagem apaixonante, que pode abrir os horizontes e ampliar a visão de vida de quem se aventurar por este caminho. No Brasil são publicados 35 títulos do mestre suíço na coleção Obra Completa (também vendidos separadamente), além de outros títulos à parte. Há também uma infinidade de livros de outros autores sobre Jung e suas teorias.

Muitos consideram o trabalho de Jung como sendo de leitura difícil, mas o considero bastante compensador. Aos iniciantes, recomendo o início do seu estudo pelos livros Jung - Vida & Obra (de autoria da Dra. Nise da Silveira) e O Homem e seus Símbolos (escrito por Jung e alguns de seus colaboradores), voltado para o público leigo. Uma boa continuidade pode ser feita com a autobiografia de Jung em Memórias, Sonhos, Reflexões.

Boa leitura!

 



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