Então é Natal...
Lembranças natalinas como fonte de reminiscências


Por Cláudia Capitão


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Logo que entra o mês de Dezembro somos invadidos por dois pensamentos: "nossa, o ano voou..." e "está chegando o Natal".

Dezembro é ao mesmo tempo período de encerramentos e período de renovar nossas esperanças. O ano chega ao fim, tudo tem que ser concluído (ou pelo menos assim parece). Termina o ano letivo, as empresas fazem o fechamento do ano, os amores renovam seus votos e os corações livres de se enchem de esperança de serem “ocupados” no novo ano que se aproxima. Enfim, o Natal fecha um ciclo... mas como ficam as situações vividas até ele chegar? Ficarão guardadas para sempre? Como vamos selecionar o que merece ser relembrado?

Pensando neste tema me remeti a um tempo de outrora, quando era criança, em que contava os dias ansiosamente para chegar logo as férias e o recesso do meu pai para irmos para Minas Gerais passar os festejos de fim de ano na casa dos meus avós. E não foi sem propósito que usei o termo “outrora”, pois me vem à mente a figura do meu avó materno, nascido no início do século passado e que mantinha sempre a elegância de vestir-se com terno e gravata, ou ao menos com camisa social e gravata, independente do tempo ou ocasião. Mesmo em casa, no aconchego do seu lar, mantinha-se impecável.  E com essas imagens sendo revividas me dou conta de que o que faço agora chama-se reminiscência.

No trabalho com estimulação cognitiva usamos esta técnica para ativar as memórias de longo prazo remotas carregadas de afeto. Recordar um passado que deixou registro permanente no nosso cérebro e sentimentos importantes na nossa alma, no nosso “eu”, que só eu posso relatar com a minha carga de emoção e afeto... uma memória também subjetiva, que nos constrói como sujeitos, como um Ser no mundo.

Mas embora individual, algumas datas remetem a uma reminiscência “coletiva”... como era o seu natal quando você era criança? O natal pertence a todos, mas como cada um passou o seu natal é único.

No trabalho com idosos que sofrem de perda de memória esta é uma oportunidade de resgatar lembranças vívidas e ricas em detalhes, pois o passado permanece muitas vezes intacto. E na troca de relatos podemos perceber uma capacidade preservada para conversar e contar estórias com entusiasmo sobre as festas em família. E as canções natalinas? Como é bom ouvir as velhas canções de natal embaladas com toda dignidade por senhores e senhoras donos de si, de suas memórias não perdidas, e nos presenteando com momentos únicos, que com toda certeza farão parte das minhas reminiscências.

E por falar em reminiscências, como eram gostosos e felizes os meus finais de ano nas Gerais... bons tempos, que dizem que não voltam atrás, mas que podem ser sempre revividos quando abro os arquivos do meu hipocampo (região encefálica a qual se atribui grande importância para nossa capacidade de guardar informações e conhecimentos). Mas o que seria do meu hipocampo sem as outras regiões do cérebro para gerar imagens, sons e cheiros, por que o natal tem cheiro também. Cheiro de rabanada, de terra molhada e de café... café que eu adorava ver crescer e amadurecer no terreiro (terreiro é quintal de mineiro, para quem não sabe) para depois ser torrado e moído. Eu adorava moer o café na cozinha dos meus avós, por isso o meu natal tem cheiro de café...o tradicional café mineiro! Hum, bom demais da conta, sô! Esses são os aromas que permeiam minhas lembranças e sem perceber sei que digito cada linha com um doce sorriso estampado no rosto... sorriso maroto de menina sapeca que adorava ajudar as tias a preparar a ceia, amava brincar com os primos e ficava fascinada esperando o Papai Noel chegar para entregar os presentes. E ele nunca falhava! O que seria dos pequenos se não fosse um primo mais velho a fazer a alegria da gurizada... Ho Ho Ho! E quanto mistério e especulações isso não gerava quando íamos crescendo... rs. Eu posso dizer que ficava na cola do “Papai Noel” quando se aproximava meia-noite... eu tinha que desvendar o mistério. Eu e mais uma cambada de espiões mirins... rs.

Mas isso é prosa para mais de hora. As lembranças são muitas e não caberia apenas num artigo, que a meu ver parece mais uma crônica... uma crônica de Natal.

Vejam só como o Natal estimula a cognição... além da memória e da percepção, utilizamos nossa habilidade linguística para contar estórias.

Que todos possam celebrar esta data com ótimas recordações para estimular o cérebro e encher a alma de felicidade!

 



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