Falando sobre autismo
Conheça os principais sinais e desafios

Por Aline Cataldi


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O autismo é um transtorno global do desenvolvimento infantil em que percebemos grande dificuldade social, comportamental e da comunicação. Sem dúvida, seu comprometimento maior ocorre na interação social.

O nome "autismo" significa isolamento social. Antigamente o autismo era chamado transtorno invasivo do desenvolvimento. Quando falamos em autismo infantil estamos qualificando apenas os problemas que se apresentam antes do 3º ano de idade e se prolongam por toda a vida, podendo estar associados ou não a um atraso intelectual ou disfunção neurológica.

O espectro autista envolve três patologias específicas: autismo clássico, síndrome de Asperger (comunicam-se, não apresentam alteração intelectual, mas apresentam grande dificuldade de socialização) e o transtorno invasivo sem nenhuma especificação. O quanto antes a criança for diagnosticada, melhor o prognóstico. O ideal é que ela seja diagnosticada antes dos três anos. O autismo não tem cura e não sabemos suas causas, apenas temos o fator genético. O autismo também pode apresentar-se depois de um desenvolvimento normal da criança durante o primeiro ou segundo ano de vida. Percebemos uma incidência maior em meninos (3 a 4 meninos para uma menina).

Apesar de não ter cura, o diagnóstico precoce e um tratamento de qualidade, com embasamento científico, pode trazer grandes melhoras e resultados maravilhosos. Pessoas com autismo ainda sofrem grande discriminação, e muitas famílias veem lutando pela inclusão escolar.

As crianças autistas têm um desenvolvimento avançado no plano motor e atrasado no referente à linguagem. A criança autista também tem tendência a evitar o contato pelo olhar. Podemos notar os sinais da doença através de uma alteração da linguagem (não verbal e verbal); comportamento com estereotipias (movimentos com as mãos, balanceio do corpo, dificuldade com mudança de rotina, interesses específicos) e social (sem interesse ou com interesse nos relacionamentos interpessoais, mas sem habilidades). Outra característica é que os autistas pensam muito no concreto e apresentam grande dificuldade com abstrações. Por volta dos 5 a 7 anos ocorre uma melhora no comportamento. As relações interpessoais evoluem, mas continuam deficientes. As anomalias de linguagem geralmente persistem e os comportamentos bizarros diminuem. Na adolescência podem desenvolver crises convulsivas e percebemos um isolamento extremo e a impossibilidade de se relacionar com outros indivíduos. Porém, podemos perceber que a maioria permanece dependente até a idade adulta e aproximadamente 3/4 possuem retardo mental. Os que apresentam QI baixo têm prognóstico pior.

Em 2007 a ONU decretou o dia 2 de abril como o Dia Mundial de Conscientização do Autismo.
Indivíduos com autismo apresentam pelo menos 50% dos seguintes sintomas:

  • Dificuldade em juntar-se com outras pessoas;
  • Insistência com gestos idênticos, resistência a mudar de rotina;
  • Risos e sorrisos inapropriados;
  • Não temer os perigos;
  • Pouco contato visual;
  • Pequena resposta aos métodos normais de ensino;
  • Brincadeiras muitas vezes interrompidas;
  • Aparente insensibilidade à dor;
  • Ecolalia (repetição de palavras ou frases);
  • Preferência por estar só;
  • Conduta reservada;
  • Pode não querer abraços de carinho ou pode aconchegar-se carinhosamente;
  • Faz girar os objetos;
  • Hiper ou hipo atividade física;
  • Angústia sem motivo aparente;
  • Não responde às ordens verbais, atua como se fosse surdo;
  • Apego inapropriado a objetos;
  • Habilidades motoras e atividades motoras desiguais;
  • Dificuldade em expressar suas necessidades — emprega gestos ou sinais para os objetos em vez de usar palavras;
  • Pouca curiosidade social;
  • Pensamentos concretos

O autismo acomete cerca de 70 milhões de pessoas no mundo. Em crianças, ele é mais comum do que câncer, diabetes e AIDS juntos. Para os autistas, nosso mundo é caracterizado pelo excesso de informações e, por isso, devemos o tornar mais acessível. Ao lidar com crianças autistas devemos ter em mente que eles possuem o raciocínio muito lógico, não tem a leitura social mas o afeto é muito verdadeiro. Crianças com autismo precisam ter o dia estruturado e professores que saibam ser firmes, mas humanos. O tratamento com medicação praticamente não é usado. A base do tratamento é a terapia cognitivo-comportamental, em que o psicólogo vai fazer uma “ginástica cerebral”, treinando, principalmente, habilidades sociais.

No tratamento deve-se visar à independência, autonomia, socialização e autorrealização do paciente. Cabe ressaltar que o psicólogo deve acolher e estimular habilidades para o seu desenvolvimento. Além de ser constantemente motivado a participar e interagir mais, estabelecendo vínculos com as pessoas a sua volta.

A pessoa com autismo apresenta dificuldade em interpretar as intenções dos outros, pouca flexibilidade para mudar rotinas e tem interesses restritos e repetitivos. Ela não sabe e não aprendeu a interagir e manter vínculos. Pelo fato de ser muito sensível, para ela o contato social é visto como ameaçador, invasivo e intimidador.

O mais indicado no tratamento é que se busque uma equipe multidisciplinar especializada em autismo com psiquiatra, psicólogo, fonoaudiólogo, psicopedagogo e educador. O empenho da família também é fundamental no tratamento. Agindo desta forma as mudanças na vida serão inúmeras!

 



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