Neuropsicologia
Uma perspectiva clínica entre neurociências e psicologia


Por Cláudia Capitão


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O interesse pelo cérebro remonta a idade antiga e sempre desafiou a curiosidade e conhecimento humano. Mas podemos observar que os avanços científicos ao longo do século XX e recursos tecnológicos atuais possibilitaram uma interseção entre saberes das neurociências e da psicologia, promovendo o surgimento de uma nova abordagem no contexto clínico.

Especialidade relativamente recente na nossa prática clínica, a neuropsicologia pode ser compreendida como o campo de conhecimento da psicologia envolvido no estudo do comportamento humano correlacionado ao funcionamento cerebral, tanto em condições ditas normais quanto patológicas.

 

 

"A neuropsicologia é a área da psicologia e das neurociências que estuda as relações entre o sistema nervoso central, o funcionamento cognitivo e o comportamento"

(Miotto, 2012)

 

A neuropsicologia prima pela investigação dos domínios cognitivos, que incluem as funções mais nobres do Sistema Nervoso Central, como memória, atenção, raciocínio, linguagem, habilidades perceptivas, motricidade e modulação do comportamento em seus variados contextos. A maneira como o cérebro modula as atividades mentais do homem exigindo dele organização de idéias, produção de palavras que compõem um discurso coerente, capacidade de perceber e compreender tudo o que acontece ao seu redor, planejamento e execução de ações que impliquem na resolução de problemas, na coordenação de movimentos essenciais para exercer sua autonomia e elaboração de mecanismos para lidar com as suas emoções que configurem no todo um comportamento adequado ao meio é o que desperta o grande interesse dos neuropsicólogos.

Mas, quando torna-se necessário lançar mão desta especialidade? Duas abordagens neuropsicológicas tem sido amplamente utilizadas: a avaliação neuropsicológica e a reabilitação neuropsicológica. A primeira é responsável pela análise do desempenho cognitivo de um indivíduo, que por alguma desordem neurológica, na maioria das vezes, mostra-se alterado ou abaixo do que seria esperado para ele, levando em consideração sua faixa etária, nível escolar, contexto sócio-econômico e cultural. Esta análise é feita através da aplicação de testes neuropsicológicos específicos, que nos fornecem o perfil cognitivo deste sujeito.

Uma vez que se evidencie alguma alteração ou prejuízo cognitivo, devemos pensar nas possíveis causas do quadro apresentado e nas propostas terapêuticas para diminuir o impacto do mesmo no seu cotidiano e sua na qualidade de vida, com o intuito de minimizar os déficits apresentados e otimizar as habilidades cognitivas preservadas. Surge então a reabilitação neuropsicológica como intervenção não-farmacológica para situações que tornam-se cada vez mais comuns na sociedade moderna: Déficit de Atenção e perda de memória associada a processos neurodegenerativos, como o que ocorre na Doença de Alzheimer.

Importante ressaltar que o objetivo da avaliação neuropsicológica não é dar diagnósticos ou rotular indivíduos, mas sim servir como um instrumento complementar a avaliação clínica criteriosa para verificar a presença de disfunções cognitivas e auxiliar no diagnóstico diferencial, ou seja, apontar subsídios compatíveis ou não com determinadas condições consideradas patológicas, tornando possível adotar condutas terapêuticas, farmacológicas ou não, que melhor contribuam ao tratamento das mesmas. Geralmente os neurologistas, os psiquiatras e os geriatras são os profissionais que mais solicitam este tipo de avaliação, mas profissionais da área da educação também se mostram interessados por esta prática, que pode auxiliar também na criação de estratégias para o acompanhamento de crianças com problemas de aprendizagem e dislexia, por exemplo. A neuropsicologia muito tem a contribuir na promoção da saúde, na educação e consequentemente na qualidade de vida das pessoas. Basta investirmos nos estudos, nos empenharmos e termos vontade de colocar em prática as teorias que permeiam nossa profissão.

O tema é bastante amplo, assim como as áreas de atuação e os desafios enfrentados pelo neuropsicólogo, mas o presente artigo é uma pequena amostra do que podemos explorar e pretende apenas apresentá-los ao assunto. Aguardem futuros artigos com temas mais específicos e atuais!

 



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