Orientação sexual e saúde
A importância de visitar o urologista na adolescência


Por Viviane Varial


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Todos sabemos que a saúde é um bem precioso que deve ser cuidado e preservado desde a infância. E incentivar os filhos a buscar acompanhamento médico na medida em que verificamos, além de comportamentos típicos, mudanças físicas e psicológicas, é tarefa para os pais. Esse acompanhamento deve ser feito tanto com as meninas quanto com os meninos, pois o menino também precisa descobrir seu corpo, conhecer o seu funcionamento, treinar as atividades e carícias sexuais, ter informações, esclarecer suas dúvidas e obter algumas certezas quanto à sua normalidade física.

As transformações corporais que ocorrem na adolescência, podem causar um importante choque psicológico, principalmente por se tratar de uma fase que causa tanta angústia, timidez, insegurança e por vezes agressividade. As características sexuais secundárias e as mudanças abruptas do esquema corporal variam de pessoa para pessoa, dependendo de uma série de fatores: sócio econômico, nutrição, o étnico, o ambiente e os fatores genéticos que anunciam o início psicológico da adolescência.

Apesar de estar relacionada com fatores muito positivos para o desenvolvimento psicológico, a sexualidade na adolescência não está livre de perigos, pois além de cumprir uma função fisiológica, esta caracteriza-se por demarcar a fronteira entre a infância e a idade adulta, focalizando-se em uma validação da capacidade genital.

É importante destacarmos que nos meninos a maturação sexual ocorre, em média, 2 anos mais tarde do que nas meninas e que o desenvolvimento do corpo do homem, durante a puberdade, acontece de forma desordenada, principalmente no que se refere aos genitais. Porém, todas estas transformações da menina e do menino os preparam para a vida sexual e a reprodução.

Apesar de todo desenvolvimento sócio-cultural e tecnológico, informações relacionadas aos aspectos de crescimento e desenvolvimento biopsicossocial e sexual, tão necessárias à construção da identidade do sujeito, ainda não têm alcançado de forma ampla e adequada a maior parte dos adolescentes, ocasionando entre estes, altos índices de desorientação sobre diferentes aspectos.

Podemos também observar que meninos e meninas, por motivos diversos, tornam-se sexualmente ativos num período da vida em que as dúvidas sobre temas como gênero, identidade de gênero, sexo, sexualidade, direitos reprodutivos e DST´s não estão totalmente esclarecidos na mente deles. Por isso, as dúvidas que surgem deveriam normalmente ser esclarecidas pelos pais, professores, médicos e psicólogos, pois como sabemos, a adolescência é totalmente influenciada pelo ambiente familiar, social e cultural onde o jovem se desenvolve.

Em nossa cultura há uma expectativa social de que o adolescente ainda não está preparado para as responsabilidades da vida de adulto, e isso, acaba sendo um forte elemento de identidade do adolescente, pois psicologicamente ele vive neste momento, a angústia que representa a ambigüidade de não ser mais criança e ainda não ser adulto.

Vulnerabilidade pode definir a situação de jovens atualmente, perante a experimentação de sua sexualidade. E esta situação nos mostra a necessidade de serem empreendidas ações educativas que procurem oferecer orientação sexual no sentido de promover segurança, bem estar, saúde e cidadania.

No Brasil, não existe uma cultura dos homens sentirem necessidade de procurar um urologista. Para muitos, essa visita é considerada “coisa de mulher”. O preconceito e até mesmo a vergonha, impedem muito homens ainda nos dias atuais de recorrer a um urologista, mesmo que necessitem de forma grave. Esta especialidade está muito associada à idéia de que é um médico que cura problemas de disfunção sexual.

Os pais e educadores deveriam se conscientizar de que a educação sexual correta desde a infância promove o desenvolvimento de um ser humano saudável mentalmente e fisicamente. Pois através desta, o indivíduo aprende a refletir sobre seus valores, distinguindo o conceito de certo e errado diante do mundo em que vive e aprendendo assim, a respeitar a individualidade e a opção sexual de cada um.

Dando atenção, compreendendo, valorizando, elogiando e incentivando os jovens, futuramente terão maiores oportunidades de crescer como seres dotados de maturidade para saber conduzir cada momento novo em que viverem e para encarar cada problema consciente e seguro de si.

Sendo assim, podemos concluir que a associação entre educação e a melhoria da condição de vida se refere a nada mais nada menos do que à articulação entre conhecimentos, atitudes, comportamento e práticas pessoais e coletivas que possam ser compartilhadas por toda uma sociedade.

 



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