Satisfação sexual e orgasmo
Encontre o prazer através dos sentidos


Por Viviane Varial em


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Crescemos acreditando que o sexo consiste na busca do prazer imediato. Na verdade, o sexo realiza, satisfaz e conecta, podendo até ajudar a reduzir a tensão sexual, alcançar o orgasmo e atingir o bem-estar em relação às habilidades sexuais, mas isso não é uma regra. É uma grande ilusão pensar em sexo ideal. Ele simplesmente não existe, pois sempre haverá pontos a melhorar entre os parceiros. Lógico, depende da disponibilidade, do interesse e do grau de importância que isso tem para cada um. Importante ressaltarmos que o outro dificilmente corresponderá completamente ao ideal de nossos desejos, pois durante muito tempo, o sexo foi ligado a algo sujo e pecaminoso e os prazeres pessoais que ele proporciona não eram levados em consideração. Essas idéias e mitos  foram sendo transferidas através de gerações.

A maioria dos especialistas concorda que a masturbação, por exemplo, é uma coisa natural e saudável. Porém, ainda é considerada um tabu com relação aos seus danos e a natureza pecaminosa. E assim, diversas informações equivocadas são passadas adiante e a idéia de que o ato pode ser uma maneira de conhecer seu próprio corpo e de sentir-se bem, sem correr riscos, acaba ficando de lado. O efeito destas influências ao longo dos anos é geralmente confusão e culpa. Só existe uma forma de a masturbação ser prejudicial: quando ela se torna compulsiva. Assim é com todos os comportamentos compulsivos, pois há sinal de que um problema emocional necessita de acompanhamento psicológico. Fora isso, a masturbação é uma forma de autoconhecimento muito importante e fundamental para alcançar a satisfação sexual e experimentar o prazer sexual, aumentando a autoaceitação. Quase sempre, é também o resultado final de pensamentos sensuais, de estimulação erótica que envolve todos os sentidos, não provocando danos à sexualidade nem do homem e nem da mulher. Não podemos esquecer de mencionar a masturbação mútua, quando um parceiro masturba o outro, o que faz com que sejam valorizados cumplicidade, confiança e o conhecimento do corpo do outro e do seu próprio corpo, pois as zonas erógenas são descobertas através do toque. A pele é o órgão mais sensível que possuímos e as carícias promovem mais intimidade entre os parceiros.

Atualmente as pessoas têm usufruído mais de sua liberdade sexual, pelo menos de forma aparente. Permitem-se aproveitar o direito ao prazer e o conhecimento do próprio corpo. Caíram algumas barreiras morais e o sexo erótico ganhou muita força a ponto de incitar uma busca incessante pelo orgasmo. É bem verdade que o prazer e a satisfação sexual incluem o orgasmo, mas não se resumem a ele. Quem disse que orgasmo é propriamente sinônimo de uma vida de qualidade, de prazer e satisfação? No caso das mulheres então, quem disse que os orgasmos tem que ser múltiplos? Associa-se muito a satisfação sexual ao resultado e não à entrega, ao durante. Desta forma, o orgasmo ganha mais atenção do que a experiência sexual completa.

O alcance do orgasmo feminino numa relação heterossexual, por exemplo, para muitos significa que o homem desempenhou bem seu papel. É como se o homem tivesse que provar que é Homem, (com H maiúsculo); e nada melhor do que demonstrar isso através da sua performance sexual. Isso não significa absolutamente nada, pois sabe-se que muitas mulheres fingem o orgasmo para agradar seus parceiros. Ninguém  é capaz de dar orgasmo a ninguém, ele simplesmente acontece. A responsabilidade do prazer não está em outro lugar senão em nós mesmos. A parceria pode até facilitar ou dificultar. Mas para que tanta ansiedade pela performance perfeita? Tanta obrigação acaba com a diversão.

Parece pouco provável pensar desta forma nos dias de hoje, mas muitas mulheres nem sabem se já tiveram orgasmo. Pensam que orgasmo de verdade é aquele retratado em filmes pornôs, onde a mulherada se descabela e grita, ou que vê estrelas, tocam sinos e os olhinhos viram. As relações deveriam ser prazerosas, mas não obrigatoriamente orgástica. A pressão de ter o orgasmo  só dificulta ainda mais a experiência. Assim, começam a surgir dificuldades relacionadas com a intimidade sexual e até o sexo passa a ser menos satisfatório.

Nos dias de hoje, são poucas as pessoas que procuram algum tipo de tratamento. Ainda há muita dificuldade, seja por falta de oportunidade, vergonha ou medo de enfrentar os resultados. Este é um obstáculo que precisa ser vencido.

Nos consultórios, os psicólogos, ginecologistas, urologistas e terapeutas sexuais tentam consertar as ideias equivocadas, como por exemplo a de que a falta de orgasmo é uma doença. É extremamente importante fazer um levantamento geral da história de vida do paciente, detectar os possíveis focos que desencadearam a insatisfação sexual, compreender o desenvolvimento da pessoa e propor exercícios que serão feitos em casa. Em outras palavras, o tratamento basicamente abrange aspectos psicológicos baseado no histórico de vida da paciente, o social, as crenças e o treino com atividades que serão sugeridas pelo profissional quando forem necessárias. Porém é necessário fazer a intervenção descartando antes de mais nada, qualquer possibilidade de algum problema orgânico, facilitando assim, a solução de questões como esta.

Segundo especialistas, a grande maioria das queixas sexuais dos casais está relaciona a falta de qualidade na relação interpessoal de ambos. Ou seja, surgem mais questões psicológicas diversas do que uma "doença" orgânica. O ideal é procurar um terapeuta especializado para ajudar no processo da "cura". Lembrando que manter um diálogo bem sincero com a parceria ajuda bastante em todo o processo, para que a relação seja pensada como um todo, identificando pontos que demandam mais investimento de tempo, energia e coração aberto. A satisfação sexual mantém uma relação bem estreita com a satisfação em outras áreas.

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